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50ª Mostra de SP: 12 filmes para marcar na agenda

A Mostra de São Paulo faz 50 anos de 15 a 29/10, com James Gray na abertura. Separamos 12 filmes, de Fjord a Feito Pipa, para você montar a agenda.

Por João Victor15 de outubro de 2026

50ª Mostra de SP: 12 filmes para marcar na agenda

A edição de 50 anos começa hoje

A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo chega à 50ª edição com 391 títulos de mais de 90 países, espalhados por 57 salas, espaços culturais e CEUs da cidade. A sessão de abertura, para convidados, é nesta quarta (14/10), e a programação abre ao público amanhã, 15/10, indo até 29/10.

Quem abre a festa é James Gray, o homenageado da edição, com Tigre de Papel. Ele também assina o pôster dos 50 anos e ganha retrospectiva. Os dois maiores prêmios do ano estão na grade: Fjord, Palma de Ouro em Cannes, e Mulher Desconhecida, Leão de Ouro em Veneza.

São 15 dias e centenas de sessões, e ninguém dá conta de tudo. Por isso a gente fez o recorte: 12 filmes para marcar agora, divididos em três blocos. Primeiro, os premiados que rodaram os grandes festivais. Depois, o Brasil. Por fim, as sessões que valem pelo encontro com quem fez o filme.

Para cada um, você encontra o porquê de estar na lista e, quando já existe, a data em que ele chega ao circuito. Isso ajuda a decidir o que ver agora e o que dá para esperar.

A noite de James Gray

1. Tigre de Papel (Paper Tiger), de James Gray (EUA)

O filme de abertura é o retorno de Gray ao território que ele conhece melhor: Nova York, família e crime. Nos anos 1980, Gary (Adam Driver), ex-policial, apresenta ao irmão Irwin (Miles Teller), engenheiro, um negócio bom demais para ser verdade, ligado à limpeza do canal Gowanus, e os dois se enrolam com a máfia russa. Scarlett Johansson completa o trio.

O filme competiu pela Palma em Cannes e tem um pé no Brasil: é coprodução da brasileira RT Features, de Rodrigo Teixeira. A Diamond Films lança no circuito em 7 de janeiro de 2027, então a Mostra é a chance de ver três meses antes.

Por que está aqui: Gray é o diretor que melhor filma irmãos em rota de colisão desde Os Donos da Noite. E ele vem junto. Em 15/10, depois da sessão de Tigre de Papel, às 19h, ele conversa com Walter Salles na Sala Petrobras na Mostra, montada este ano no Solar Fábio Prado, onde recebe o Prêmio Leon Cakoff.

2. Sul de Teerã, de Kleber Mendonça Filho (Brasil)

Oito minutos que valem a fila. Kleber filmou Jafar Panahi em 16mm, em outubro de 2025, no Festival de Nova York, quando os dois rodavam o circuito com O Agente Secreto e Foi Apenas um Acidente. O resultado é uma conversa sobre cinema e memória entre dois diretores que fizeram do próprio país o assunto.

O curta teve estreia mundial no 64º Festival de Nova York e passa na sessão de abertura da Mostra. Por que está aqui: é raro ver dois cineastas desse tamanho em registro tão íntimo, e é o Kleber pós-Agente Secreto.

Os premiados que rodaram o mundo

3. Fjord, de Cristian Mungiu (Romênia)

A Palma de Ouro de 2026 é a segunda de Mungiu, que já tinha vencido com 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, em 2007. Sebastian Stan e Renate Reinsve vivem um casal que deixa a Romênia e se muda com os filhos para uma vila isolada na Noruega. A paz acaba quando a filha chega à escola com hematomas.

Por que está aqui: Mungiu é o mestre do dilema moral filmado sem trilha para te dizer o que sentir, e a premissa (uma família de fora num lugar onde todos se conhecem) é terreno perfeito para ele. A estreia no Brasil, pela Diamond, está marcada para 4 de fevereiro de 2027.

4. Mulher Desconhecida (Kvinde Ukendt), de May el-Toukhy (Dinamarca)

O Leão de Ouro de Veneza foi para o único filme da competição dirigido apenas por uma mulher. Na Dinamarca de maio de 1945, nos dias da libertação, Marie, babá e empregada, está prestes a se casar com o viúvo rico para quem trabalha. Um encontro com alguém do passado a coloca em risco, num momento em que mulheres acusadas de relações com soldados alemães eram humilhadas em público.

Mathilde Arcel, que vive Marie, ganhou a Copa Volpi de melhor atriz. Por que está aqui: é um drama de época sobre o que uma mulher precisa esconder para sobreviver, com desejo e culpa dividindo o mesmo quadro. Sem distribuidora brasileira anunciada até agora, a Mostra pode ser a única chance de ver em tela grande tão cedo.

Cannes além da Palma

5. A Terra do Meu Pai (Fatherland), de Paweł Pawlikowski (Polônia)

Pawlikowski, de Ida e Guerra Fria, dividiu o prêmio de direção de Cannes com Javier Calvo e Javier Ambrossi, de La Bola Negra. No verão de 1949, Thomas Mann (Hanns Zischler) e a filha Erika (Sandra Hüller) atravessam de carro uma Alemanha em ruínas, de Frankfurt, sob controle americano, a Weimar, sob controle soviético.

Por que está aqui: é um road movie entre dois mundos que ainda nem tinham virado dois países, e Hüller é a atriz mais interessante da Europa agora. O filme chega aos cinemas no fim do mês, então a Mostra é a pré-estreia.

6. Minotauro (Minotaur), de Andrey Zvyagintsev

O Grande Prêmio do Júri de Cannes, o segundo lugar do festival, foi para o diretor de Leviatã e Sem Amor. O filme acompanha o colapso moral de um empresário russo esmagado por crises pessoais e políticas ao mesmo tempo.

Por que está aqui: ninguém filma o frio da Rússia contemporânea, o do clima e o das pessoas, como Zvyagintsev. Se você saiu de Leviatã sem palavras, este é o próximo.

Hollywood antes da estreia

7. Ray Gunn, de Brad Bird (EUA)

O diretor de Os Incríveis e Ratatouille volta com uma animação que a Netflix e a Skydance Animation chamam de noir de ficção científica. Em Metrópia, uma cidade de futuro alternativo imaginada a partir de 1939, o detetive Raymond Gunn (voz de Sam Rockwell) pega um caso que envolve alienígenas, um assassinato e a estrela Venus Nova (Scarlett Johansson). Tom Waits também está no elenco de vozes.

Por que está aqui: é animação de autor feita para a tela grande. Nos EUA, o filme passa em cinemas selecionados, com cópias em 70mm, antes de chegar ao streaming, e a data no Brasil ainda não foi anunciada. Ou seja, a Mostra pode ser sua única sessão de cinema com ele.

8. O Outro Lado das Redes (The Social Reckoning), de Aaron Sorkin (EUA)

Sorkin, roteirista de A Rede Social, agora escreve e dirige o reencontro com o Facebook. O filme parte dos "Facebook Files", a série de reportagens do Wall Street Journal, e acompanha Frances Haugen (Mikey Madison), que leva os segredos da empresa ao repórter Jeff Horwitz (Jeremy Allen White). Jeremy Strong é o novo Mark Zuckerberg.

Por que está aqui: três dos atores mais disputados do momento num roteiro de Sorkin é programa de estreia, e a Sony lança no circuito brasileiro em 22/10. Ver na Mostra é a vantagem de quem não quer esperar uma semana nem pegar a sala lotada do fim de semana.

O Brasil na Mostra

9. Feito Pipa, de Allan Deberton (Brasil)

O filme cearense que a Academia Brasileira de Cinema escolheu para tentar uma vaga no Oscar 2027 de filme internacional. Yuri Gomes vive o menino Gugu, ao lado de Teca Pereira, como a avó, e Lázaro Ramos, como o pai.

O currículo é longo: em Berlim, levou o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do júri internacional na mostra Generation Kplus; em Gramado, quatro Kikitos, incluindo direção e atriz para Teca Pereira. Por que está aqui: é o filme brasileiro do ano para torcer, e ver na Mostra antes da estreia comercial, em 05/11 pela Paris Filmes, é chegar na conversa do Oscar com opinião própria.

10. A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias (Brasil)

O primeiro longa da dupla pernambucana chega à Mostra com dois troféus pesados: o Prêmio Especial do Júri em Locarno e o de melhor longa de ficção no Festival do Rio, que acaba de terminar. No Recife, Izaquiel busca encontros no mangue durante a noite e conhece o pescador Jeremias. O perigo real, porém, vem de um grupo religioso fanático que ganha poder na cidade.

Por que está aqui: Pernambuco segue sendo o polo mais inventivo do cinema brasileiro, e este é o nome novo que vai aparecer em todas as listas de fim de ano. Também levou os prêmios de fotografia e som no Rio, o que já diz muito sobre a experiência de sala.

11. Elza, de Eryk Rocha (Brasil)

O documentário sobre Elza Soares saiu do Festival do Rio como melhor longa documental. Eryk Rocha, de Cinema Novo, tem faro para filmes que pensam o Brasil pela música e pela imagem de arquivo.

Por que está aqui: Elza é das vozes que explicam o país, e documentário musical em sala de cinema, com som de verdade, é outra experiência. Se a programação brasileira da Mostra fosse uma playlist, este seria o volume no máximo.

O encontro com quem fez

12. RRR: Revolta, Rebelião, Revolução, de S.S. Rajamouli (Índia)

Rajamouli é um dos três nomes do Prêmio Leon Cakoff deste ano, ao lado de James Gray e do produtor português Paulo Branco, e vem a São Paulo receber a homenagem. A programação reserva uma apresentação especial de RRR em 19/10, às 17h30, na Sala Petrobras na Mostra, com conversa de Rajamouli com o público.

Por que está aqui: RRR é o épico de ação que virou fenômeno mundial, com a sequência de dança que conquistou até o Oscar de canção original. Ver aquilo numa sala cheia, com o diretor na plateia, é programa de festival no sentido mais divertido. É a única sessão de RRR da Mostra, então esse ingresso vai voar.

Os homenageados não param aí. Paulo Branco, produtor de filmes como A Cidade dos Piratas, de Raúl Ruiz, ganha retrospectiva própria, e o cineasta Marco Bechis também é homenageado nesta edição.

Como montar a sua agenda

Os ingressos são vendidos pelo aplicativo oficial da Mostra, disponível para iPhone e Android, e pelo site da Velox; as informações estão em mostra.org/ingressos. O avulso abre quatro dias antes de cada sessão, às 9h, e no dia da sessão uma pequena cota fica na bilheteria do cinema. Das permanentes, só a Integral segue à venda: a Especial e os pacotes de 20 e 40 ingressos esgotaram. Os valores mudam por tipo de ingresso e dia da semana, então confira na página de ingressos antes de comprar.

Nem tudo é pago. A Mostra tem sessões gratuitas no Circuito Spcine (CEUs e Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes), no Itaú Cultural, no Teatro Sérgio Cardoso, no Bulevar do Rádio e no CINUSP, e valores populares (R$ 4 e R$ 2) no CCSP e no Spcine Olido. A Mostrinha, com filmes para crianças, também é gratuita nos CEUs. Vale olhar a grade desses espaços se você mora longe do eixo da Paulista.

Uma dica prática: os filmes com estreia comercial marcada (O Outro Lado das Redes, Feito Pipa, Tigre de Papel, Fjord) vão voltar. Se a agenda apertar, priorize o que não tem data no Brasil, como Mulher Desconhecida, Minotauro e Ray Gunn em tela grande.

Para não perder nenhum

Salva os 12 na sua watchlist do Clube Cine agora, assim você chega com a lista pronta quando abrir o app da Mostra. E se a noite de abertura te deixou com vontade de mais James Gray, monta a maratona do diretor antes de Tigre de Papel chegar ao circuito em janeiro: Os Donos da Noite, Era uma Vez em Nova York e Ad Astra são um ótimo começo.

No fim da Mostra, a gente volta com os vencedores da edição de 50 anos. Até lá, conta pra gente nos comentários: qual destes 12 já está na sua agenda?

Fontes oficiais: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, La Biennale di Venezia, Woman Unknown, Festival de Cannes, Minotaur, Film at Lincoln Center, Sul de Teerã.

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