O sci-fi de Bong Joon-ho com Robert Pattinson custou US$ 118 milhões, decepcionou nas bilheterias e hoje está no HBO Max e na Netflix. Veja onde assistir.

Mickey 17, o sci-fi de Bong Joon-ho com Robert Pattinson, entrou no top 10 mundial de filmes da Netflix no fim de agosto de 2026, logo depois de chegar ao catálogo da plataforma em vários países, Brasil incluído. E não saiu do HBO Max, onde está desde 2025. Hoje, quem assina qualquer um dos dois serviços pode dar play sem pagar nada a mais.
É uma virada e tanto para um filme que a Warner tratou como evento de cinema. Mickey 17 estreou no Brasil em 6 de março de 2025, um dia antes dos Estados Unidos, com orçamento de produção de US$ 118 milhões. Terminou a carreira nas salas com US$ 133,5 milhões no mundo, sendo US$ 46,1 milhões nos EUA e no Canadá.
Parece empate, mas não é. O orçamento não inclui a divulgação, e a Variety estimou em cerca de US$ 80 milhões o gasto com marketing. Na mesma reportagem, de março de 2025, a revista projetou um prejuízo de US$ 75 a 80 milhões na janela de cinema. Uma fonte ligada ao filme contestou e disse que a perda real era bem menor.
Seja qual for o número exato, o rótulo de fracasso pegou. E pegou num filme que tinha tudo para ser o evento autoral do ano: o primeiro longa de Bong depois de Parasita, vencedor do Oscar, com Pattinson em papel duplo e um elenco com Naomi Ackie, Steven Yeun, Toni Collette e Mark Ruffalo.
A premissa cabe em uma frase. Mickey Barnes aceita ser um "Descartável" numa missão de colonização espacial: faz os trabalhos perigosos demais para qualquer outro, morre e é impresso de novo, com as memórias intactas. O roteiro adapta o romance Mickey7, de Edward Ashton, e aqui a gente para na sinopse, sem spoiler.
Tem um detalhe nessa história que todo cinéfilo vai curtir. Em 2017, Bong foi o diretor do "filme da Netflix" em Cannes. Okja, produção original da plataforma, entrou na competição principal do festival e, na sessão para a imprensa, o logo da Netflix foi recebido com vaias, num clima que piorou com uma falha de projeção.
Na época, a briga era se filme de streaming merecia lugar ao lado do cinema de sala. Nove anos depois, o filme que Bong fez para o circuito de estúdio, com campanha de blockbuster, encontra o público justamente na Netflix. Para a gente, isso diz menos sobre fracasso e mais sobre o tipo de filme: uma comédia esquisita, de humor ácido, que funciona melhor quando você descobre por conta própria, no sofá, sem a pressão do fim de semana de estreia.
O filme chegou ao streaming em 23 de maio de 2025, no Max, sem custo extra para os assinantes. Em julho daquele ano, o serviço voltou a se chamar HBO Max, no mesmo aplicativo. Se você leu "Max" em algum texto antigo, é a mesma casa.
Segundo o JustWatch Brasil, em checagem feita em 9 de outubro de 2026, Mickey 17 está por assinatura no HBO Max (também pelo canal HBO Max na Amazon) e na Netflix, inclusive no plano com anúncios. Para quem não assina nenhum dos dois, há aluguel e compra na Apple TV e no Amazon Video. Catálogo de streaming muda, então vale conferir no aplicativo antes do play.
Salva Mickey 17 na sua watchlist do Clube Cine e aproveita para montar uma maratona Bong Joon-ho com Okja, Parasita e Mickey 17. Para a gente, são três filmes em que o diretor olha, cada um do seu jeito, para quem o sistema trata como peça descartável. Começa pelo Mickey e depois conta pra gente se a fama de fracasso era justa.